Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro estão reforçando suas estratégias de prevenção aos impactos das altas temperaturas, utilizando dados meteorológicos, informações de saúde e monitoramento climático para identificar regiões mais vulneráveis e orientar medidas de proteção à população. A iniciativa ganha importância diante da intensificação dos riscos associados ao fenômeno El Niño.

As três capitais integram a Parceria para Cidades Saudáveis e estão desenvolvendo ações para transformar informações sobre o clima em políticas públicas de saúde. Representantes dos municípios se reuniram no Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 6 de novembro, para compartilhar experiências e discutir soluções conjuntas diante dos desafios provocados pelo calor extremo.

Em São Paulo, o programa SampaAdapta instalou 25 sensores em cinco regiões da cidade. Os equipamentos acompanham temperatura e umidade dentro e fora de imóveis, como residências, comércios, escolas, parques e unidades de saúde. Moradores também participam como Guardiões dos Sensores Climáticos, contribuindo para aproximar os dados coletados da realidade dos bairros. As informações ajudam a orientar a criação de uma rede de abrigos climáticos, com espaços públicos destinados ao acolhimento durante períodos de temperaturas elevadas. O Parque Benemérito Brás foi escolhido como primeiro projeto-piloto.

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Fortaleza utiliza o Observatório de Riscos Climáticos, lançado em 2025, para acompanhar dados meteorológicos e desenvolver alertas antecipados. A cidade também criou um comitê de resposta e um plano de contingência para enfrentar ondas de calor, chuvas intensas, secas e erosão costeira, além de elaborar um Protocolo de Calor e Saúde com cinco níveis de risco. No Rio de Janeiro, o Centro de Inteligência Epidemiológica reúne informações climáticas e de saúde em um painel que combina previsões meteorológicas e modelos preditivos, auxiliando a prefeitura na definição de medidas conforme o nível de calor e de emergência.

A articulação entre os municípios busca aprimorar a capacidade de resposta do poder público e direcionar ações às áreas e aos grupos mais expostos. O calor extremo pode agravar doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas, atingindo de maneira diferente a população conforme as condições de moradia, a presença de áreas sombreadas e o acesso a locais mais frescos. Segundo estimativa do Climate Impact Lab citada no material, o calor adicional associado ao El Niño poderá provocar 451 mil mortes a mais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação com condições climáticas normais. Para o Brasil, a projeção é de 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro e fevereiro.